O Centro de Pesquisas Pew conduziu um estudo recentemente sobre o voluntarismo Mórmon. “Mórmon” é o apelido para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, embora os lideres da Igreja estão dando ênfase ao nome oficial para que não haja mal entendido sobre o fato de ser uma religião Cristã.
No dia 15 de março de 2012, o Centro de Pesquisas Pew realizou um Fórum sobre Religião e Vida Pública. Foi um debate no qual os estudiosos que lideraram a pesquisa compartilharam seus achados sobre os Mórmons e seu lugar na sociedade e vida pública americana com jornalistas, outros estudiosos, e política externas. Um representante de cada área do estudo compartilhou seus achados de seu grupo com o fórum. Foi feito uma sessão de perguntas e respostas, e o fórum foi informativo e respeitoso.
Os Mórmons são os membros mais pró-sociais na sociedade Americana
Ram Cnaan, da Universidade da Pensilvânia, passou anos estudando “quem dá e quem voluntaria em nossa sociedade”. Sua pesquisa mostrou que a media dos Americanos que voluntariam, o fazem por volta de 3 a 4 horas por mês. Ele enfatiza que este número não inclui os Americanos que não voluntariam nada por mês; é apenas uma média daqueles que prestam serviços. Cnaan comparou estes achados com o voluntariado Santo dos Últimos Dias (Mórmon) em quatro áreas: atividades religiosas, voluntariado afiliado à igreja para ajudar a atender as necessidades sociais das pessoas na igreja, atividades afiliadas à igreja para ajudar as pessoas que não são membros da igreja, e atividades que não afiliadas à igreja. Ele descobriu que a média dos Santos dos Últimos Dias ativos na igreja voluntaria cerca de 36 horas por mês, comparado a média Americana de 3 a 4 horas por mês. O valor monetário deste tempo é de cerca de $ 9.140,00 dólares (equivalente a R$ 17.823,00 reais) por ano.
Adicional ao serviço que os Santos dos Últimos Dias prestam, o grupo de Cnaan também estudou o quanto eles doam. Ele dividiu as doações em três tipos: doações seculares (fora da igreja), doações para bem-estar (dentro da igreja) e doações religiosas extras (baseado no dízimo – 10% da renda anual). Então, não incluindo o dízimo, a média de Santos dos Últimos Dias ativos doa cerca de $ 1.821,00 dólares por ano (aproximadamente R$ 3.550,00 reais) por ano, para causas sociais tanto dentro quanto fora da Igreja, sem contar o dízimo.
Cnaan concluiu, “os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são os membros mais pró-sociais da sociedade americana”.
Relação entre ajudar o pobre e ser um bom Mórmon
Greg Smith, Fórum Pew sobre Religião e Vida Pública, focou a sua parte do estudo sobre a importância de Santos dos Últimos Dias fiéis (Mórmons) atrelados à ajuda ao pobre. Ele levantou uma série de perguntas aos participantes de seu estudo:
- Quão importante é acreditar que Joseph Smith realmente viu Deus, o Pai, e Jesus Cristo para ser um bom Mórmon?
- E o fato de não beber café ou chá?
- Quão importante é fazer noites familiares regularmente?
- Qual a importância de não ver filmes inapropriados?
- E, por fim, quão importante é trabalhar para ajudar os pobres e necessitados?
Foi pedido aos participantes que respondessem estas questões como sendo essencial, importante, mas não essencial ou não muito importante, ou não tem importância alguma para ser um bom Mórmon. Smith concluiu:
“Nossa pesquisa descobriu que aproximadamente três quartos dos Mórmons dizem que trabalhar para ajudar o pobre e necessitado é uma parte essencial do que significa ser um bom Mórmon. Não é apenas uma parte importante. Não é algo legal para se fazer. Ajudar o pobre é essencial para ser um bom Mórmon.
Eu fiquei impressionado com a quantidade de Mórmons que disseram que ajudar os pobres e necessitados é essencial em sua religião. O número que disse isto é quase tão alto quanto o número que disse que é essencial acreditar que Joseph Smith realmente viu Deus, o Pai, e Jesus Cristo”.
O Mecanismo por trás do trabalho dos Mórmons não é único
David Campbell, da Universidade de Notre Dame, comparou o povo Mórmon, sua cultura, e sua ligação com o povo de outras religiões e concluíram que a grande maioria dos serviços que os Santos dos Últimos Dias prestam é para sua própria cultura e Igreja – não exclusivamente, mas a maioria. “Não há dúvidas que os Mórmons são os maiores quando falamos sobre o voluntariado religioso e outros tipos de voluntariado”, disse Campbell.
Entretanto, ele afirma que isto ajuda os Santos dos Últimos Dias a fortalecerem os laços uns com os outros, mas laços podem vir em detrimento à construção de pontes com outras religiões de suas comunidades.
Campbell conclui dizendo:
“Então, a minha conclusão é que os Mórmons definitivamente representam um grupo distinto na sociedade Americana. E eles talvez são únicos em seu nível de voluntariado. Mas eles não são únicos no mecanismo que levam a este nível. Se eu puder apenas fechar este comentário, o fato de estas redes sociais serem formadas para fortalecer as conexões entre os Mórmons significa que os Mórmons não estão tão bem integrados em suas próprias comunidades – ou seja, entre os povos de outras religiões – como poderiam estar. Isto é refletido na percepção relativamente pobre que os Mórmons têm da sociedade Americana em geral”.
O fórum foi um debate excelente sobre a variedade de crenças e perspectivas diferentes interpretando a mesma religião, bem como traçar paralelos entre o Mormonismo e outras religiões.
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